sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nunca havia pensado em conexão como uma rede, não existia para mim essa ideia de integração, é você olhar mas não ver.
Quando criança, lembro ainda de brincando nos campos e nos terrenos vazios, havia muitos formingueiros que nós garotos, destruímos só para ver os inumeravéis caminhos, projetados e construídos através de entrelaçamentos múltiplos não só de avenidas e ruas caminhos becos túneis como também com a s trocas de informações que acontecem quando as formigas encostam suas antenas uma nas outras para que todas fiquem alertas, uma comunicação perfeita.
NO formingueiro a rede de comunicação atende,a todos; da rainha a mais humilde operária.
Quando a palavra rede veio a mim, pensei primeiro na pesca, depois na rede e prender cabelos.
Do alto se tem uma idéia, perfeita de rede,como para-quedista que fui e sou, via lá de cima, de voar como uma Águia, as várias conexões das ruas e cidades e fios de rede elétricas como numa teia.
Observando um mapa da cidade, você tem uma visão geral dos cruzamentos que permitem a comunicação entre si, e nas esquinas como os nós da rede se dá os encontros mais férteis, ou não.
Trabalhei durante alguns anos numa fábrica e tecidos. Era interessante ver como os tecelões tratavam a trama, com seus vários fios que se cruzavam , se enlançavam criando assim um padrão de desnhos, cores,e texturas que quando terminada a sua feitura, nos comunicava sua beleza muda, e no faz falar de sua beleza visual.
E aí, a filosofia de rede, onde diversos autores pensadores, procuram comungar um pensamento de entrelaçamento para as comunicações. Pierre Musso nos fala que a noção de rede é onipresente, e ao mesmo onipotente em todas as disciplinas:nas ciências sociais; na física; em matemática, informática e inteligência artificial; nas tecnologias;e biologias. etc.

A ideia de rede existe na mitologia através do imaginário da tercelagem e do labirinto,e , Antiguidade, a medicina de Hipócrates, a associa definitivamente à metáfora do organismo em que "todas as veias se comunicam e se escoam de umas para as outras; com efeito, umas entram em contado com elas mesmas, outras estão em comunicação pela vênulas que partem das veias e que nutrem as carnes."
Uma outra interpretação dessa genealogia da noção de rede consideraria as inflexões ou mesmo as rupturas em sua apreensão.
Na antiguidade , a idéia de rede já está presente como mito do vínculo, levado por uma visão biometafísica colocando em ressonância as circulações internas do corpo físico como o da Cidade e do grande Cosmo.
A rede é objetivada como matriz técnica, infraestrutura itinerária, de estradas de ferro ou de telegrafia, modificando a relação com o espaço e com o tempo.
O nascimento do conceito moderno de rede, enquanto ele permite conceber e realizar uma estrutura artificial de gestão do espaço e tempo, é contemporânea à obra Claude-Henri de Saint-Simon(1760-1825).
A rede sai do corpo e trona-se um artefato superposto a um território e anamorfoseando-o.
Quatro disciplinas contribuem para a formação do conceito moderno de rede: medicina misturada à economia política; a engenharia; ou "ciência dos engenheiros"; a militar e engenharia civil.
No crepúsculo das "Luzes" e no " nascimento da Clínica", quando o saber cedee ao ver, como sublinha Michel Foucault, a rede designa o espaço do território sobre o qual se conectam dispositivos de fortificação ou de circulação. Controlar ou fazer circular, essa é a ambivalência original da rede.
Saint-Simon, o primeiro, vai tocar toda a partitura das significações e das imagens da idéia de rede. sua filosofia visa a construção de uma religião compreendida em seu sentido etimológico de metaligação social, (re-ligare), espécie de religião racional; rede, enquanto vínculo geral, é seu pivô.
Para conseguir isso. ele começa por elaborar uma epistemologia do organismo-rede. Saint-Simon coloca a contradição como essência de todo fenômeno:"todos os fenômenos são feitos da luta existente entre os sólidos e os fluidos". Sendo uma luta, um movimento, não se pode definir um fenômeno senão por sua gênese.
A rede pode , assim, assumir formas variadas: ao mesmo tempo, sólido-cristal, sistema de circulação dos fluidos e estados intermediário entre sólidos e fluidos.
A rede pode ser alternativamente cristal, organismo e ser híbrido. Surpreendente plasticidade dessa figura da rede que pode revestir formas diversa: um estado, seu inverso e a passagem de um ao outro.
O conceito de rede vai tornar-se ato, enquanto trabalho público: ele será o símbolo da associação universal, em concepção e em ação. Michel Chevalier(1806-1879) sistematiza essa concepção das redes, da política industrial e da paz no artigo "O Sistema do Mediterrâneo" veiculado no Le Globe de 12 de fevereiro de 1832. A passagem da dominação à associação somente poderá realizar-se com o desenvolvimento das redes de comunicação do Oriente e do Ocidente. A rede permite passar e ultrapassar a luta do Oriente e do Ocidente. Ela une os dois, a carne e o espírito, a mulher e o homem.

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